1 de outubro de 2011

Edgar Allan Poe e o Cinema Gótico

Os chamados schauerfilme ("filmes horripilantes") tiveram origem na Alemanha e foram rodados entre a humilhação do país diante da derrota da Primeira Guerra Mundial e a ascensão do poder nazista na década de 30. A abordagem do schauerfilme, emprestada do teatro e da literatura, foi a mesma do expressionismo, na qual o clima e o psicológico eram mais importantes do que o realismo. O maior retrato expressionista é o conhecido O Gabinete do Dr. Caligari, lançado em 1919. Trata-se da "visão do mundo de um louco" e conta a história de um sinistro hipnotizador (Caligari), que exibe em sua cidade um sonâmbulo (Cesare), anunciado como capaz de prever o futuro. O homem "prevê" a morte de um dos espectadores, um estudante. Caligari força a realização da profecia, conduzindo o sonâmbulo para assassinar o estudante. Carl Mayer, co-autor do filme, diz: "Caligari representa os líderes insanos que enviam as massas submissas (retratadas pelo sonâmbulo) para matar e morrer na guerra".
Porém, antes mesmo deste clássico, o escritor Edgar Allan Poe já influenciava o cinema americano com seus poemas um tanto quanto darks. A primeira tentativa de se fazer um cinema denominado gótico é de D. W. Griffith (The Avenging Conscience, 1914). O filme utilizava o argumento de The Tell – Tale Heart, um conto clássico de Poe, que fala sobre a culpa de um anti-herói envolvido num grande esquema de assassinato.
Edgar Allan Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809. Filho de dois atores itinerantes, viveu trágicos momentos, pois seu pai, David Poe, o abandonou ainda cedo, e sua mãe, Elizabeth, morreu em sua presença antes dele completar seus 3 anos de idade. Talvez por isso ele encarasse a vida como uma performance, qualquer pequena crise era motivo para grandes melodramas. Poe levou a literatura gótica ao universo psicológico. O sinistro de seus contos girava muito mais em torno de desequilíbrios mentais do que em forças sobrenaturais. Contos de horror com sátiras inteligentes, um clima estranho e uma sensação de não saber ao certo se "é pra rir ou pra chorar". E o escritor Poe levou seu universo gótico às telas de cinema também.
Os assassinos da Rua Morgue, de 1932, conta a história de um cientista sádico, interpretado por Bella Lugosi, ator austríaco também conhecido pela caracterização do famoso personagem Drácula. Mas o filme deve mais a O Gabinete do Dr. Caligari do que ao conto de Poe. Dois anos depois, em 1934, outra tentativa de adaptação de uma obra de Poe, O gato preto, menos semelhante que Os assassinos da rua Morge porém um clássico cult dirigido por Edgar G. Ulmer.
É em 1960, com a união dos atores Vicent Price e Roger Corman, que as obras de Edgar Allan Poe se tornam filmes ícones do cinema gótico. Price e Corman refilmam A queda da casa de Usher, produzido na França, em 1928, pelo polonês Jean Epstein. Lorde Roderick Usher vive preocupado com a saúde da esposa, ela morre e é enterrada, mas ele acredita que ela apenas permanece adormecida e, a partir daí, fatos estranhos acontecem em volta da casa.
A parceria dos dois deu tão certo que Roger Corman resolve produzir o terror de Allan Poe em 7 filmes conhecidos como "Ciclo Poe". Em 1960 filmam O Solar Maldito; em 1961, A Mansão do Terror – adaptação de O Poço e o Pêndulo; em 1962, Muralhas do Terror – inspirado em 3 contos de Poe (Morela, O Gato Preto e O Caso do Sr. Valdemar); em 1963, O Castelo Assombrado; em 1964, Orgia da Morte, dito seu melhor filme. E também em 64 é rodado O Túmulo do Sinistro, baseado no conto Ligéia. Mesmo dirigindo quase sem dinheiro e subestimado por grande parte da crítica da época, Corman persistiu. Especialista em filmagens de baixo custo, reaproveitava cenários de um filme para o outro e os produzia em uma semana. O diretor dirigiu 43 filmes nos primeiros 10 anos de carreira e produziu mais de 3 centenas desde 1955. E, mesmo custando uma ninharia, faziam tanto sucesso nos drive-ins dos anos 50, que produziam o milagre da multiplicação. Ele continua trabalhando até hoje (já cheio da grana...)
Mas as influências de Edgar Allan Poe não morreram nos anos 60.
"Quando era jovem, eu tinha duas janelas no meu quarto, janelas ótimas, que davam para o gramado e, por alguma razão, meus pais cobriram as janelas com tijolos e me deram uma janelinha que não passava de uma fenda na parede, e eu precisava subir na escrivaninha para ver o que havia lá fora (...) Naquela época, não perguntei por que eles fizeram aquilo. Então, comparei essa experiência com um conto de Poe em que uma pessoa era emparedada, enterrada viva, para poder falar a respeito dessa época."
O nome do garotinho que disse tal frase é Timothy William Burton, mais conhecido como Tim Burton. O famoso diretor de Edward Mãos de Tesoura começou sua carreira com um curta-metragem de animação em stop motion chamado Vincent. O curta, de 6 minutos, é uma autobiografia de Burton e, de forma muito interessante, repete citações dos filmes de horror estrelados por Price (que narra a animação), assim como passagens de contos e poemas originais de Allan Poe. O filme combina também um visual de O Gabinete de Dr. Caligari com versos anárquicos de Dr. Seuss em O Gatola da Cartola.
E Poe continua a influenciar o cinema de horror e a cultura gótica. Um exemplo é a animação não muito conhecida, Lenore. A personagem já existia no mundo dos quadrinhos há um bom tempo, mas, com o advento da internet, tornou-se interessante transformá-la em um ser animado. O nome de seu criador é Roman Dirge, e a menininha que esbanja um grande humor negro é personagem famosa de um conto de Poe, O Corvo. A linda menininha de cabelos loiros que adora brincar com bonecas e animaizinhos parece ser uma garota comum, com uma "pequena" diferença: ela é uma morta-viva.
Assim, podemos perceber como Poe influenciou várias gerações não só de importantes autores literários, mas também de tantos diretores e produtores de cinema de horror e gótico.

Extraído de www.negativoonline.com

Lendas do Fantástico Medieval

O sobrenatural é um dos componentes mais interessantes do imaginário medieval. Inspira-se tanto nas referências pagãs da antiguidade, mitologia celta e na bíblia como nas citações de Plínio e nos relatos de viagens exóticas, como as de Marco Pólo.
Presente em grande parte das antigas narrativas, cria uma introdução muito atraente para os aspectos míticos e irreais das histórias de amor e enquadra-se perfeitamente na mentalidade do homem medieval, onde tudo é simbólico.
O imaginário medieval herdou do greco-romano todo o tipo de monstros híbridos, meio homem e meio animal, como os centauros, sereias ou esfinges; ainda grifos, dragões e unicórnios. A partir do século XI estes seres tornaram-se meros elementos decorativos. Após este período são encontradas citações de gigantes em romances arturianos e, em seguida, sobrevivendo apenas na crença de uma existência longínqua e fantasiosa.
Um aspecto interessante é a forma que o pensamento cristão medieval se adaptava à suposta existência de seres ambíguos: se estes seres possuíam alma como os humanos e se seria possível sua salvação no reino divino.

A Rainha dos Mares

Na história antiga, especificamente na obra A Odisséia, de Homero, a sereia é uma mulher da cabeça aos pés. Apenas no período medieval, provavelmente sob influência do folclore celta, que a sereia ganha o status de ser híbrido: meio peixe e meio humano.
Em uma das lendas, vivia, por volta do ano 90 d.C, na Irlanda, uma jovem de nome Liban. Um dia, ao banhar-se no Lago Neagh, descuidou-se e, por pouco, escapou da morte por afogamento. Assim, após esta experiência, a jovem pediu a Deus que transformasse suas pernas em cauda de salmão. Seu cão também foi transformado em lontra pra fazer-lhe companhia. E assim manteve-se por trezentos anos.
Um dia, porém, a jovem decidiu voltar a ser humana e pediu a um mensageiro que levasse seu pedido a Deus. Seu desejo foi ouvido e Liban voltou a ser mulher. Porém, as "portas do paraíso foram abertas" (com uma possível interpretação da morte de Liban) e a jovem passou a ser venerada como Murgelt: A Sereia dos Mares.
Uma outra versão, um pouco mais complexa, aborda a mesma lenda e seus paradoxos sob a perspectiva cristã. Originada no século VI e registrada por escrito apenas no século XVII, a lenda conta que a jovem, também de nome Liban, era uma princesa sobrevivente de uma enchente ocorrida quando um poço sagrado transbordou. Liban, juntamente com seu cão companheiro, refugiou-se em uma gruta, e pediu à Deusa Dana que a transforma-se em um salmão, para que pudesse ser livre como os peixes.
O pedido da princesa foi parcialmente atendido, pois sua transfiguração não foi completa: permaneceu humana da cintura pra cima e suas pernas foram substituídas por uma cauda de peixe. Enquanto seu cão foi transformado em um leão marinho.
Assim Liban viveu por trezentos anos até que foi encontrada por um padre que navegava em direção à Roma. O clérigo convenceu a princesa a segui-lo até terra firme e lá Liban foi convertida ao cristianismo. Assim viveu por mais trezentos anos. Após sua morte passou a ser reverenciada como santa sob o nome de Murgelt (ou Murgen). Por ter nascido humana, sua alma foi para o Paraíso.

São Jorge, Preste João e os Dragões

O dragão, o corpo da serpente, com uma longa cauda enrolada sobre si mesma e, mais freqüentemente, asas, é o símbolo da luta entre as forças do bem e do mal narrado na Bíblia. Situações como essa são muito comuns nas narrativas de mártires como São Jorge que derrota o dragão e salva a filha do Rei da Fenícia. Assim como São Miguel e São Germain que perseguem serpentes aladas.
Mas onde vivem os dragões? Onde se encontram essas criaturas míticas que são tão repugnantes e ao mesmo tempo fascinantes?
O lendário rei cristão Preste João (Padre João) teria afirmado, através de cartas de autoria duvidosa, que dragões, grifos, unicórnios e centauros; além da Árvore da Vida, o Elixir da Juventude e outras fantasias habitavam seu reino. Mas o próprio Preste João parece não ter sido mais do que uma lenda: o arquétipo do generoso rei que governava um país repleto de mistérios e maravilhas.
A origem da existência fabulosa de Preste João pode ter nascido da imagem do líder nestoriano Johannes Presbyter, que no século XII construiu um poderoso reino na Tartária, região atual da Ásia Central. No entanto, já no século XV, D. João II, rei de Portugal, munido de informações que indicavam que o reino de Preste João situava-se ao noroeste da África, precisamente na Etiópia, enviou os exploradores Afonso de Paiva e Pero de Covilhã ao local. Afonso faleceu durante a expedição, mas Pero chegou ao destino.
A Etiópia não era o reino fantástico de Preste João. Não era habitado por seres míticos nem encontrava-se poções de vida eterna e riqueza abundante. Mas Pero de Covilhã, atendendo ao convite do príncipe Naod, que assumiu o reino após a morte de Alexandre, decidiu permanecer por lá.
Uma nova expedição lusitana foi enviada à Etiópia vinte anos mais tarde com o objetivo de repatriar os portugueses que se estabeleceram na África. Pero de Covilhã recusou-se retornar à Portugal e passou o resto de seus dias na Etiópia. O clérigo Francisco Álvares, integrante desta segunda expedição, escreveu a obra intitulada Verdadeira informação das terras do Preste João nas Índias e associou os reis etíopes à imagem fantástica de Preste João e seu reino à Etiópia. Foi assim que a lenda de Preste João foi anexada à biografia de um governante real.

A lenda do Judeu Errante

Provavelmente trazida do Oriente após as Cruzadas, a lenda do Judeu Errante tem seus primeiros registros históricos em 1228 e perdura-se como uma narrativa medieval que se estende até os dias de hoje como uma parábola cristã.
A lenda conta, em uma de suas versões, que Cristo, enquanto caminhava levando a cruz em seu martírio, teria feito uma breve pausa para repouso e pediu a um sapateiro de nome Ahsverus que lhe desse um pouco de água. O sapateiro recusou-se e zombou de Cristo dizendo: "Se és filho de Deus, faça brotar água do chão". Cristo, por sua vez, disse-lhe: "Eu caminho pelo meu martírio. Mas tu caminharás até que eu volte". Assim, Ahsverus envelheceu mas nunca morreu e passou a peregrinar pelo mundo esperando a volta de Cristo e o Juízo Final para que enfim possa descansar.
Em outras versões, Cristo exaurido teria caído em frente à porta do sapateiro (que recebe outros nomes além de Ahsverus) e o artesão espicaçou-o com os pés zombando de seu sofrimento. Em seguida, Cristo lançou-lhe praga semelhante à versão anterior. Porém, desta vez, além de peregrinar pela Terra desde então, o sapateiro também leva em sua testa uma chaga em forma de cruz que sangra constantemente e uma faixa vermelha amarrada a cabeça para proteger-lhe o ferimento.

O Purgatório de São Patrício 

Nascido no século IV na Grã-Bretanha, São Patrício é padroeiro da Irlanda e personagem de um dos contos mais populares na Europa Medieval.
Narra a lenda que, orientado por Cristo, São Patrício encontrou um "buraco" (que pode ser interpretado como uma gruta ou um poço) que dava acesso direto ao purgatório. Como agradecimento, erigiu ali uma igreja e um mosteiro.
Assim, todos aqueles que desejassem, poderiam adentrar a gruta (ou poço) e, se conseguir retornar, teriam todos os seus pecados perdoados. Muitos ousavam penetrar a gruta mas não retornavam. Até que um cavaleiro inglês de nome Owen, que trazia muitos pecados em sua alma, entrou na gruta e algum tempo depois retornou. Sir Owen disse que vários demônios tentaram afligi-lo mas sempre invocou o nome de Cristo e os demônios se afastavam. Owen viu o paraíso e as almas torturadas dos pecadores; viu demônios e outras criaturas bestiais, mas retornou vitorioso.

A Fada Melusina

A fada Melusina é uma referência freqüente no repertório das lendas medievais. Assim, também recebe várias interpretações de acordo com a lenda em que surge, região e período. De uma forma mais ampla, Merlusina é uma fada que tem cauda de peixe (semelhante às sereias) e asas de morcego expelindo fumaça pela boca.
As versões mais significativas de suas lendas datam do século XIV. Tudo tem início quando o Rei Elynas, durante uma caçada, encontra na floresta uma bela dama de nome Presina. Elynas apaixona-se por ela e ambos se casam. Porém, Presina impõe a condição de que, quando tivessem filhos, Elynas não podia acompanhar o nascimento nem a visse banhando seus filhos. Presina deu a luz a trigêmeas.
Certa vez, Elynas, movido pela curiosidade, observou Presina banhando as crianças. O trato foi quebrado e a dama fugiu com suas filhas para a terra encantada de Avalon.
Muitos anos depois, Melusina, a mais velha das trigêmeas questionou sua mãe o fato de terem se refugiado em Avalon e nunca mais terem visto o próprio pai. Presina contou-lhe sobre o trato que fora desfeito. Melusina e suas irmãs foram de encontro a Elynas com o objetivo de vingar-se. Elynas foi capturado e trancafiado em uma torre junto de suas riquezas. Enraivecida pelo desrespeito ao próprio pai, Presina lança um feitiço sobre as próprias filhas e condena Melusina a transformar-se em serpente da cintura pra baixo todos os sábados.
Assim, finalmente, Melusina conhece Raymond de Poytou numa floresta da França. Ambos casam-se sob a condição de que Raymond nunca poderia observar Melusina banhando-se aos sábados. Raymond também quebrou a promessa e descobriu o segredo de sua esposa. No entanto, ambos mantiveram-se casados. Apenas quando, enfurecido, Raymond ofendeu a esposa chamando-a de serpente perante a corte, Melusina transformou-se em um dragão, deu ao marido dois anéis mágicos e partiu para sempre.
Em outras versões, Melusina foge quando é flagrada pelo marido durante o banho. Ainda, Melusina é filha de um demônio com um ser humano e a ela também é atribuída a imagem da "sereia" que rouba o filho de Lancelot, nas lendas arturianas.

O sentido moral das lendas

Lendas e parábolas ajudam a construir a personalidade de um povo, de um período histórico e de uma cultura. Também ajuda a compreender cada um destes elementos. As inevitáveis transfigurações destas lendas durante o tempo, por um lado, enriquecem o imaginário e acrescentam variações e significados importantes; por outro, podem deturpar o seu sentido original.
De qualquer forma, é a solidificação do sentido moral de cada conto e de cada personagem que, adequadamente interpretados, ajudam a compreender a sociedade e a cultura contemporânea e fazem lembrar que, em algum tempo, tudo o que hoje é realidade, poderá se tornar uma lenda.

Referência principal: http://www.histoire-pour-tous.fr

Necromancia

Segundo referências da língua portuguesa, necromancia é a "suposta previsão do futuro através da comunicação com o espírito dos mortos". A origem etimológica remete-se ao grego: necro = morte e mancia = adivinhação.
Porém, por um ponto de vista mais objetivo, a necromancia, também conhecida como nigromancia, é, de uma forma bastante simplificada, uma prática de fundamento ocultista que busca manter contato com a alma dos mortos através de uma ritualização determinada, com o objetivo de elaborar previsões, obter aconselhamentos e orientações das almas na vida cotidiana ou até mesmo escravizá-las. Pois, há uma suposta crença que os mortos, por não estarem mais limitados à condição terrena, têm uma percepção mais apurada e a propriedade de predizer o futuro.
Há várias suposições a respeito de sua origem histórica. Mas é mais provável que tenha surgido no período pré-cristão nas crenças entre os povos asiáticos, principalmente os persas. No entanto, há também referências históricas entre os romanos e os gregos, e até mesmo entre os aborígenes americanos. Dessa forma, a Necromancia não está associada a nenhuma doutrina religiosa específica; sendo comum encontrá-la citada, com algumas variações não muito significativas, em diversas ramificações do ocultismo, em períodos cronológicos distintos e culturas distantes.
Mesmo as populares religiões afro-brasileiras têm em seus ritos evocações aos espíritos dos mortos; quando, por exemplo, o sacerdote recebe o espírito de uma entidade; ou seja, de alguém já falecido. Porém, se aplicarmos o mesmo raciocínio rígido, qualquer evocação à espíritos de mortos (como encontrada também no Espiritismo e em cerimônias xamânicas) é uma forma de prática necromante.


Rituais

Assim como em outras práticas ocultistas, a Necromancia reúne uma série de elementos necessários em seu cerimonial de evocação que costumam se estender por horas: cânticos, instrumentos, vestimentas e objetos que trazem uma representação simbólica; além de horários e dias específicos e outras referências que o praticante deve observar. Dessa forma, segundo as tradições necromantes, é possível promover uma conexão espiritual com a alma dos mortos que ainda mantém-se retidas num plano inferior. Esse contato só seria possível com almas recém desencarnadas ou que estejam vulneráveis no plano espiritual; ou seja, que ainda não tenham sido conduzidas ao Reino Divino. Contudo, a Necromancia, em sua acepção mais pura e antiga, traz alguns aspectos mais macabros que outras práticas adivinhatórias.
O uso de cadáveres, ou de, no mínimo, partes do corpo como ossos, dentes, unhas, pêlos e fios de cabelo, é comum à Necromancia. Neste momento não há simbolismos ou representações alegóricas. A presença física de um cadáver ou de seus restos mortais é freqüente nos rituais; pois, é o espírito daquele corpo que será evocado. Ainda, objetos pessoais do falecido, terra da sepultura ou fragmentos da lápide ou do esquife também são utilizados. Em relatos mais surpreendentes, o cadáver seria capaz de falar por si próprio. Em outras situações, a alma do falecido toma posse temporariamente do corpo de um dos praticantes. Enquanto que cerimônias ritualísticas em cemitérios com a violação de túmulos e a mutilação de cadáveres poderiam ser atividades corriqueiras aos praticantes da antiguidade.
Por outro lado, as evocações de caráter mais simbólico utilizam a Tábua de Ouija para interpretar as mensagens recebidas do além. Até mesmo o popular "jogo do copo", que se utiliza de um copo de cristal com sua abertura voltada para a superfície de uma mesa, sendo levemente conduzido pelos participantes, que seguem a orientação do espírito evocado, em direção à letras e números escritos em pedaços de papel e previamente distribuídos em círculo. Ainda, pêndulos e cartas também podem ser instrumentos de comunicação e interpretação para com os espíritos.
Entretanto, tais práticas geram uma grande exaustão em seus participantes e são extremamente perigosas senão forem bem conduzidas. Segundo os grimórios que abordam o tema, os praticantes estão sujeitos à possessões demoníacas, danos físicos e psicológicos permanentes, entre outros. Por este motivo, as cerimônias devem ser administradas somente por pessoas experientes e bem preparadas.


Citações Históricas

Umas das citações históricas mais recorrentes que pode ser interpretada como uma referência à Necromancia está na própria Bíblia. No primeiro Livro de Samuel, capítulo 28, quando o Rei Saul recorre à feiticeira de Em-Dor para comunicar-se com o falecido profeta Samuel, que prevê a morte de Saul. No Livro de Isaías (8:19/20) a citação é mais clara: "Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? A lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles". No apócrifo Macabeu II, há também uma citação direta a respeito do contato com os mortos.
Ainda, grandes nomes do ocultismo, como John Dee, Eliphas Levi e, obviamente, São Cipriano, teriam se envolvido com práticas necromantes.
De qualquer forma, a Necromancia, apesar de ser vista como uma aberração, é muito mais freqüente nos dias de hoje do que se possa supor, pois atende a uma curiosidade intrínseca ao ser humano: saber o que há "do outro lado".

http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/ciencias/necromancia.htm

As Clavículas de Salomão

As Clavículas de Salomão (do latim Clavis Salomonis) também conhecido como As Chaves de Salomão é um dos mais célebres e enigmáticos livros de ocultismo da história. Ao mesmo tempo em que é referência frequente em outros tantos tratados e citado constantemente por vários ocultistas, sua autoria, bem como sua legitimidade são discutíveis.
Origens e conteúdo
A origem do grimório é incerta e a autoria atribuída ao bíblico Rei Salomão também é pouco provável. Mas é possível que tenha sido elaborado no século XII da era cristã na região antiga do Império Bizantino (parte da Europa, África e Ásia); apesar de ter ganhado notoriedade apenas a partir do século XVII com o Renascimento. Mesmo assim, há algumas versões que surgiram no mesmo período e têm uma estrutura bastante diferente entre si, tanto de conteúdo quanto de linguagem. Fato que apenas amplia as lacunas sobre a real procedência do original.
O conteúdo em aramaico é baseado em antigas obras da Cabala e do judaísmo pré-cristão; bem como da tradição esotérica do período clássico. Assim, de um modo geral, não difere de outros tantos grimórios e traz descrições de cerimônias que fazem uso de objetos ritualísticos confeccionados pelo próprio praticante a fim de evocar demônios que possam "trabalhar" a favor do magista.
O grimório traz ainda um alfabeto mágico e uma extensa simbologia formada por letras desse alfabeto associadas à arquétipos ocultistas, como figuras geométricas, princípios masculino e feminino da criação, ilustrações antropomórficas etc.
Da mesma forma que outros compêndios, As Clavículas de Salomão tem uma linguagem rebuscada e rituais cerimoniais tão complexos que são quase impraticáveis. Assim, podemos entender que a obra foi propositalmente elaborada dessa forma com o objetivo de impor ao pretenso mago uma espécie de pré-avaliação; ou seja, se o magista compreende as descrições do livro, pode-se considerar que tem um nível de conhecimento elevado e suficiente para utilizá-lo. Caso contrário, o magista não consegue interpretá-lo e acaba por desistir. Por outro lado, a linguagem e a complexidade podem apenas representar o contexto no qual foi elaborado; ou seja, por ocultistas medievais, escrito através de uma conotação simbólica praticamente incompreensível ao entendimento do homem moderno.

O Legemeton
Há também um manuscrito conhecido como Legemeton ou A Chave Menor de Salomão que é paralelo às Clavículas de Salomão. Por vezes, o Legemeton é citado como um "capítulo" das Clavículas; por outras, é uma obra à parte.
De qualquer forma, este manuscrito, que traz características históricas muito próximas a das Clavículas de Salomão, é uma obra muito influente no ocultismo ocidental. Sua popularidade cresceu principalmente depois que Samuel Mathers e Aleister Crowley, no início do século XX, elaboraram uma tradução da obra do idioma original para o inglês moderno, intitulada The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King.
O Legemeton divide-se basicamente em cinco partes: Ars Goetia, Ars Theurgia Goetia, Ars Paulina, Ars Almadel e Ars Notoria. Cada capítulo aborda um tema específico; porém, não há necessariamente uma continuidade temática; isto é, a ordem em que estão dispostas não interfere na estrutura da obra, uma vez que são independentes entre si.
O primeiro capítulo, Ars Goetia, trata essencialmente da descrição e de uma hierarquia atribuída à setenta e dois demônios que teriam sido confinados pelo próprio Salomão e aprisionados em um vaso de bronze selado com símbolos mágicos.
Ars Theurgia Goetia é o segundo capítulo do Legemeton e traz uma descrição de trinta e um espíritos do ar, que foram igualmente invocados e confinados por Salomão, e também, instruções de como escravizar a vontade desses espíritos e proteger-se de possíveis ataques.
A terceira parte, intitulada Ars Paulina (Arte de Paulo – em referência ao apóstolo cristão que teria sido o mentor dessas técnicas) aborda tanto a invocação de Anjos, bem como, sua relação com o zodíaco, astrologia e os quatro elementos.
Ars Almadel é o quarto capítulo. Seu conteúdo é bastante prático e orienta sobre a confecção de talismãs, contendo descrições detalhadas sobre cores e materiais utilizados; além de citar conjurações e momentos astrológicos mais favoráveis.
A quinta e última parte é a Ars Notoria. A Arte Notável é a revelação que Salomão recebeu de Deus através de um anjo e traz, basicamente, orações e instruções de como utilizar este recurso de modo mais eficiente.

As Chaves contemporâneas
Atualmente, há nas bibliotecas de Londres e Paris, manuscritos medievais que seriam os exemplares mais antigos que se tem registro de As Clavículas de Salomão. No entanto, é possível encontrá-lo em várias versões em livrarias comuns e até mesmo pela Internet.
Deste modo, é evidente que encontrar uma versão "legítima" ou que ao menos se aproxime do original, não parece ser possível nos dias de hoje. Até mesmo a aplicação prática de um grimório como este parece inconcebível. De qualquer forma, As Clavículas de Salomão, é uma grande referência histórica da busca humana pela sua espiritualidade.

Os Cavaleiros do Apocalipse

Os Quatro Cavaleiros de Revelação são personagens descritos na terceira visão profética do Apóstolo João no livro bíblico de Revelação ou Apocalipse. Os quatro cavaleiros do apocalipse são Conquista, Guerra, Fome e Morte.

Contexto


Os quatro Cavaleiros do Apocalipse, por Viktor Vasnetsov (1887).
Após contemplar toda a estrutura da organização celestial de Deus, João vê em sua mão direita um | (manuscrito enrolado em formato cilíndrico) com sete selos. Em seguida Jesus Cristo (descrito como o Leão da tribo de Juda, a raiz de Davi, um cordeiro em pé, como se tivesse sido morto) tira o rolo da mão direita do sentado no trono. Esses cavaleiros começam sua cavalgadura por ocasião da abertura do primeiro desses sete selos e a cada selo aberto um cavaleiro aparece no total de quatro. Há interpretações que associam esses eventos com os descritos nas visões do profeta Daniel que se iniciam no final das 70 semanas e cavalgam até a Grande tribulação findando no Armagedom.

Simbologia relacionada


Albrecht Dürer - Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.
Como em outros livros de profetas bíblicos como Isaías, Daniel e Ezequiel aspectos da narrativa como local, tempo, quantidade, personagens envolvidos e referências são vistos de forma simbólica e muitas vezes interpretados de maneira relacionada a outras passagens bíblicas e acontecimentos passados ou atuais.
  • O número quatro na simbologia numérica bíblica representa quadrangulação em simetria, universalidade ou totalidade simétrica, como em quatro cantos da Terra, quatro ventos. Vemos isso também em outros textos (Apocalipse 4:6; 7:1, 2; 9:14; 20:8; 21:16), provavelmente tornando esses quatro Cavaleiros parte de um único evento relacionado.
  • Cavalos e cavaleiros em muitas culturas o cavalo é símbolo de impetuosidade e impulsividade relacionadas com os desejos humanos além de ser associado com água e fogo por serem muitas vezes incontroláveis. Também é tido como a relação com o divino servindo de guia de almas, sendo muitas vezes enterrados junto com seus donos. Exprime também vigor e viriliade por vezes simbolizando a juventude. No contexto histórico principalmente nos campos de batalha o cavalo, era treinado muitas vezes para matar soldados com suas patas ou sua boca, portanto nessa narrativa esses cavalos e seus cavaleiros podem representar (e muitas interpretações os descrevem assim) uma cavalgada (campanha) com toques de guerra trazendo suas consequências por onde passam.
  • As cores dos cavalos dizem muito dos respectivos cavaleiros como:
    • Branco - Pureza, santidade, régio, ilusão;
    • Vermelho - Sangue, assassinato, guerra;
    • Negro - Obscuridade, peste, maldição;
    • Descorado (verde-água ou baio) - Corpo em decomposição, repulsa.
  • Seus apetrechos mostram característica a respeito do papel que desempenham ou a consequência de sua cavalgada:
    • Arco e mascara - Símbolo da guerra do poder falsidade;
    • Espada - Principal arma dos exércitos antigos, usada como símbolo de assassinato;
    • Balança - No contexto denota desigualdade ou injustiça (no caso de alimento);
    • Jarra - Traz a peste dentro.
  • A Ordem em que são chamados revela uma sucessão progressiva, pois eles não são chamados ao mesmo tempo, levando muitos a associar essa visão com acontecimentos do início do século 20, chegando à conclusão que o final das "Setenta Semanas" seria 1914, o primeiro cavaleiro Jesus Cristo e os outros cavaleiros sinais de sua presença.(Mateus 24:3, 21)
  • Quem os chama são quatro "criaturas viventes cheias de olhos"ou querubins que estão "em volta do trono, em cada um dos seus lados"(i.e do trono de Deus). É provavel que não se refira a um número literal, mas representa toda a classe angelical desse grupo, ou dos que desempenham a mesma função. Cada um é desctrito como tendo a cabeça, ou aparência, distinta.
    • …a primeira (…) semelhante a um leão - O leão é símbolo do poder e da justiça. É também associado ao atributo divino da justiça. Na visão prófetica de Ezequiel sobre o templo de Deus, ao redor do trono ele também vê quatro querubins com quatro faces, sendo uma dessas face de leão.
    • …segunda (…) semelhante a um novilho (ou um touro) - Símbolo de força, também representado como um atributo divino, e uma das faces dos querubins vistos por Ezequiel.
    • …terceira (…) tem rosto semelhante ao de homem - O homem dentre as criações é o único semelhante a Deus, e capaz de amar ou de imitar essa qualidade inerente dele.
    • …quarta (…) semelhante a uma águia voando - Dentre outras atribuições a águia é bastante conhecida por sua excelente visão ou como símbolo de sabedoria, perspicácia ou discernimento. Também é símbolo da sabedoria divina e uma das faces dos querubins vistos por Ezequiel.
Como um todo esses querubins podem representar a ação ou manifestação conjunta (ou completa) dos atributos principais de Deus, tanto que são eles que chamam os quatro cavaleiros.
  • Sete selos (ou sinete) e o rolo - o selo era usado como sinal de autenticidade ou garantia a privacidade do documento levando uma marca. O número sete é considerado um número sagrado e representa inteireza e o rolo (ou livro) era usado como símbolo de decreto, pronunciação ou onde estão anotados o conjunto desses símbolos denotam que esse rolo contém uma pronunciação inteiramente autêntica de acordo com seu contexto bíblico.

Características individuais

Conquista

Diz a Bíblia que ele virá e será seguido por muitos, o que remete a Zacarias 10:3-5, onde o profeta reúne seu "rebanho" e segue após ser "coroado", travando batalhas contra seus inimigos(pregando). Este cavaleiro faz pensar nos partos ("Feras da terra"), cuja arma característica era o arco, terror do mundo romano no século I (cf. Dt 7,22; Jr 15,2-4 e 50,17; Ez 34,28 e 9, 13-21)

 " E eu vi, e eis um cavalo branco; e o que estava sentado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para completar a sua vitória."
— Apocalipse 6:2

Guerra

O Cavaleiro do Cavalo Vermelho, que tem uma Grande Espada, símbolo das guerras sangrentas. Acredita-se que o mesmo representa os flagelos, os meios pelos quais "Deus" castigaria e oprimiria os adoradores da besta e do falso profeta.

"E saiu outro, um cavalo cor de fogo; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada." — Apocalipse 6:4



Fome

O Cavaleiro do Cavalo Negro, carrega consigo uma Balança e traz com isso, segundo uns, a justiça (proteção aos justos), segundo outros (a maioria dos estudiosos) o colapso econômico e a fome, pois a balança seria símbolo dos alimentos racionados e dos preços exorbitantes.

"E eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: "Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho." — Apocalipse 6:6



Morte

O Cavaleiro do Cavalo Baio (amarelo-esverdeado: a cor do cadáver que se decompõe), traz consigo a morte, a privação do plano terrestre, sendo ele o último cavaleiro.
A tradição popular perpetuou a ideia de que este último animal seria uma égua esquálida e não um cavalo. A citação do Inferno que a acompanha é, tradicionalmente, representada pelo Leviatã a engolir as vítimas, destinadas à morte eterna.
"Então ouvi a terceira Criatura: "Venha" e apareceu um cavalo baio,o nome do cavaleiro era Morte e o Inferno o seguia de perto."  — Apocalipse-6:7


Os cavaleiros e suas cavalgaduras

Os cavaleiros e seus cavalos, tal qual são descritos na Bíblia:
Cor do Cavalo Simbolismo da cor Cavaleiro Poder Simbolismo do Cavaleiro Descrição original grega
Branco/cinza falsa inocência/ paz disfarçada. Porta um arco uma coroa e uma mascara. Conquistar. Anticristo, o falso Cristo, a falsa religião. ίππος λευκός (híppos leukós), o Cavalo Branco
Vermelho O sangue derramado no campo de batalha. Porta uma espada. Traz a guerra. Guerra, destruição ίππος πυρρός (híppos pyrrós), o flamejante Cavalo vermelho
Preto Escuridão, planícies desertas Porta uma balança Escassez de alimentos Penúria, fome, trocas injustas ίππος μέλας (híppos mélas), o Cavalo Negro
Verde Água Pele esverdeada de um cadáver, Decomposição Porta um tridente, um alfanje ou uma gadanha Destruir pela guerra, pela fome, pela peste, etc. Morte ίππος χλωρός, θάνατος (híppos khlōrós, thánatos), o Cavalo verde pálido, chamado Morte

NB: Mesmo que, muitas vezes, o cavaleiro branco seja interpretado como o Anticristo, o livro do Apocalipse não o nomeia como tal.
NB: O livro do Apocalipse também não faz menção a cor dos cavaleiros e sim dos respectivos cavalos, quando o livro do Apocalipse faz menção a Jesus ele o menciona como tendo barba e cabelos brancos como a neve.
NB: Em grego, a palavra usada para descrever o cavalo baio é chloros.

Algumas interpretações

Sendo um livro profético, o Apocalipse usa de linguagem simbólica para representar diferentes fatos. Tal fato não é diferente com relação aos quatro cavaleiros. Tal linguagem simbolica permite grande número de interpretações, por diferentes pessoas e diferentes correntes cristãs. Como principais interpretações podem ser consideradas as seguintes, por serem as que tem maior quantidade de adeptos:
  • Visão temporal: Os quatro cavaleiros representariam eventos da época em que a "profecia" teria sido escrita. O primeiro cavaleiro representaria a esperança de derrota dos romanos (e consequentemente o término da perseguição aos cristãos) por povos vindos do oriente, provavelmente os alanos, que eram famosos arqueiros (notar a descrição de Apocalipse 6. 2, que diz "cavaleiro com um arco"). Os demais cavaleiros indicariam a queda dos romanos. (esta interpretação é a que tem menos adeptos religiosos, porém a mais aceita nos meios céticos).
  • Visão futurista: A mais comum entre os cristãos protestantes. Os quatro cavaleiros representariam os quatro primeiros eventos do "fim do mundo". O primeiro seria um grande líder que conquistaria grande poder e autoridade (motivo pelo qual muitos o identificam como o AntiCristo ou o próprio Cristo), o segundo significaria uma "guerra mundial" entre o homem representado pelo primeiro cavaleiro e aqueles que não aceitariam a sua dominação, o terceiro seria a "fome" ou racionamento de alimentos, causada por estes se tornarem raros com a guerra, e o quarto seria uma grande crise de mortalidade, como uma consequência dos cavaleiros anteriores.
  • Visão interpretativa: Os quatro cavaleiros representariam os períodos históricos da igreja cristã. Onde o primeiro cavaleiro seria o "cristianismo original", que "conquistaria" grande número de seguidores, após isto, os muitos seguidores de Cristo se separariam e começariam a brigar ("guerrear") pelo direito de interpretar os ensinos e as crenças cristãs (muitos consideram como o período dos primeiros Concílios), o terceiro cavaleiro representaria a "fome pela Palavra de Deus" (ver Amós 8. 11), ocasionada pelos muitos líderes que ocultariam tal ensino (muitos considerando este período como a época da Idade Média) e o último cavaleiro seria a "morte espiritual", causada pela propagação de falsas doutrinas e religiões que substituiriam o verdadeiro cristianismo (muitos considerando que tal período se iniciaria com a Reforma protestante e seguiria até o "fim dos tempos"), o que levariam as pessoas diretamente para o "inferno" (notar a descrição deste cavaleiro de Apocalipse 6.8 que diz: "e o inferno o seguia").

12 de agosto de 2011

As 10 capas mais de “Macho” do Heavy Metal…

Saudações Vampiros, Gnomos, Criaturas da noite, comedores de morcegos, Góticos e Headbangers ou seja la quem forem vós…
Sempre que vou na galeria do Rock, na Die Hard, gosto da decoração dos caras porque, apesar de a loja ser deveras pequena, a parede é forrada com todos os tipos, estilos e capas de cds em exposição. Eu gosto pacas de ficar vendo a arte de cada um… e é justamente isso que eu trago a vocês, as 10 capas mais “MACHO” eleitas por escritores do Whiplash.net



10. TURISAS
“Rasputin” [Single] (2007)

Os caras finlandeses com peles e pinturas de guerra, espadas e raiva saindo de, estranhamente, uma bola de discoteca. Espere, o que? A imagem é muito mais do que sabemos, mas como uma bola de discoteca foi parar na imagem de “Rasputin”? Inicialmente, pensamos que o TURISAS teria feito algum cover de “Hot Stuff” ou “I Will Survive”. Não, eles apenas estavam mal vestidos e sem nenhuma ideia.

Nota: será que não estavam querendo dizer… Que estavam destruindo o globo de discoteca? Pow… tentei ajudar!



9. RAVEN
“The Pack is Back” (1986)

“Roqueiros atléticos”. O RAVEN nunca teve uma ótima capa de álbum. Eu disse nunca? “The Pack is Back” evidentemente foi a melhor tentativa de fazer o grupo parecer “atlético”. Uma tentativa de competir com outras bandas em vários esportes, notavelmente mal-sucedida. Bem, caras sem músculos, posições de poder e botas do Village People não parecem exatamente fortes, mas, ei, nós perdoamos. É a intenção que conta.

Bom… parece propaganda de cueca.

????????

8. LOST HORIZON
“Awakening the World” (2001)

A banda sueca LOST HORIZON, também conhecida como o “HAMMERFALL KILLER” em alguns círculos seletos, veio para fora dos portões com um álbum flamejante. A arte tão ruim do álbum não poderia sequer se comparar à música. Eles tem os abdomens e os biceps para lutar no óleo com o MANOWAR, mas o resto da capa do álbum é um mistério. Homens Rato, Homens Porco, Homens Abutre em aparentes posições de poder e influência. Captamos essa. Espere, não captamos.



7. MAJESTY
“Sword & Sorcery” (2002)

O MAJESTY, agora conhecidos sob o nome pouco inspirado de METALFORCE, tem todo o estilo D&D/MANOWAR. Guerreiros, triunfando em seu caminho, usando um machado duplo e um escudo (bem real, sem dúvidas). Mas atenção, guerreiro! Há um exército de malvadões com chifres vindo por trás de você. Eles querem sua cuequinha de peles e botas. Não importa. O guerreiro irá quebrar todos.

Bom… eu achei bem inspirado em “Conan, O Bárbaro”… ow… dá uma chance!



6. AMON AMARTH
“The Crusher” (2001)

Falando em quebradores… a banda sueca AMON AMARTH fez um álbum intitulado “The Crusher”. Com uma versão legal de Mario do Super Mario Bros, o terceiro álbum do AMON AMARTH é um para ser lembrado para sempre. Mas nós não podemos dizer se é Mario o Armeiro, ou Mario o Mito Nórdico, ou o que seja. Provavelmente tudo junto. O sucessor de “The Crusher” seria “Versus The World”, outro álbum com um grande desenho armado olhando para cima e pronto para conquistar o mundo. Sucesso épico!!

Ow… essa banda não pode se falar mal… sou fã dos caras. Provável que se inspiraram em um Deus Ferreiro Svarog, da mitologia da Transia (fonte: Homem de Ferro & Thor nº 13)



5. THE GATES OF SLUMBER
“Conqueror” (2008)

Ok, aqui vamos nós. Os caras do THE GATES OF SLUMBER não têm físico de praia. Então, o que falta neles no departamento de ‘corpo de praia’ sobra em riffs e na arte do álbum também. Um guerreiro estilo Conan no meio, braços abertos, uma espada cheia de sangue em uma mão e a cabeça de uma vítima na outra. Encantador! Então há uma moça pelada nos seus pés. Duplamente encantador! O cinto com uma caveira enorme do DANZIG também não poderia ficar de fora.

Essa foi inspirada em Conan!



4. ACCEPT
“Balls to the Wall” (1984)

Essa capa está no inconsciente da maioria dos metaleiros. O que isso significa? O que o ACCEPT estava tentando comunicar aqui? Eu deveria me sentir um pouco desconfortável quando olho a perna tensa cabeluda e suada deste cara? Por que ele está segurando uma bola? Que tipo de bola é? Parece dura. Como eu sei disso? Bem, as veias do cara estão saltando. Não a veia principal, mas as veias da sua mão. Todos esses anos e nós ainda não chegamos a uma conclusão. E, sim, até agora estamos um pouco desconfortáveis.

Putz… falar o que? Parece até cd do George Michael… sei lá… Village People? Ow… vocês nunca viram?



3. MANOWAR
“Warriors of the World” (2002)

Qual lista de capas de “macho” estaria completa sem o MANOWAR? Nenhuma! Em 3º está “Warriors of the World”. Material típico do MANOWAR, realmente. Um guerreiro musculoso, espada na mão, abdomen tipo tanquinho, grande bandeira dos EUA na outra, vindo de uma caverna estilo Flautista de Hamelin. Sua comitiva? Um monte de homens com os peitos de fora segurando bandeiras de vários outros países, trazendo seu poder de macho conquistador. Mas espere. Onde está a cabeça dele? Parece que pagaram pouco pela arte.

É… esqueceram de desenhar a cabeça…



2. VIRGIN STEELE
“Noble Savage” (1984)


O VIRGIN STEELE é bem conhecido por ter pego a mesma estrada do MANOWAR. Um cara menos corpulento e forte do que o MANOWAR, mais brando, porém atlético. O VIRGIN STEELE é menos Conan do que seus mestres. O “Noble Savage” se adapta bem. Um céu flamejante, abdomen coberto, usando espada, um guerreiro quase nu com seu punho para o alto sinalizando para uma águia. Precisávamos de um abdomen coberto, de um cara quase nu? Acho que sim.

Ahhh esse parece o John Travolta quando ver o filme “Os embalos de Sábado à Noite Continuam…


Não parece?



1. MANOWAR
“Anthology” (1994)

Realmente, esta lista completa poderia ser de capas do MANOWAR. Apesar disso, essa pobre capa de álbum – onde está o logo do MANOWAR? – é a capa mais de macho de todas. Pelo menos na nossa humilde visão. Quatro caras musculosos, salvadores do metal cheios de óleo são tão metal que eu não sei nem por onde começar. Vamos tentar mesmo assim. Joey DeMaio tem uma espécie de imã para garotas ali. Suas pernas italianas ultra cabeludas. Realmente, estamos imaginando: onde comprar um par dessas botas brancas de pele?

Falar o que? Botas brancas? hhmmmm… Tá os caras são marrentos… mas… bota branca?

Satanismo no Heavy Metal… O verdadeiro satanista

Saudações Meus caros Vamps amigos e seguidores!

Como sempre buscando novidades, me deparei com uma reportagem muito legal sobre King Diamond e sua banda Merciful Fate… Apesar de muitos se dizerem satanistas, góticos… o Rei Diamante é realmente satanista…
Técnica e musicalmente falando, KING DIAMOND e sua banda MERCYFUL FATE diferem muito do som “extremo” praticado por bandas de black metal, fazendo um trabalho em parte relativamente original e inconfundível, carregado de uma aura sinistra. Mas… As letras vão muito “além da imaginação”… KING DIAMOND, na banda de mesmo nome, faz um trabalho lírico e teatral magistral, com as interpretações de suas letras que contam histórias de horror dignas de cinema.