Um dos personagens mais influentes
da história antiga e também um dos menos citados
nas eras seguintes, foi Apolônio de Tiana. Sua biografia
confunde-se, e em alguns momentos parece se omitir da história.
Estudiosos e fabulistas conjecturam sobre sua vida, personalidade
e obras.
Foi neste momento que atraiu
a atenção de um jovem escriba de nome Damis,
o qual o acompanhou e tornou-se uma espécie de discípulo
e biógrafo pessoal de Apolônio.
Os registros de Damis compreendem,
além da vida de Apolônio, também uma
rica fonte de referências sobre aquele tempo. Foi
a partir do trabalho de Damis que tornou-se possível
construir uma biografia mais clara de Apolônio. Quando
estes escritos estiveram em poder da imperatriz romana Julia
Domma, esposa de Sétimo Severo, que os entregou a
Flavio Filóstrato que, por sua vez, recebeu a incumbência
de traçar a vida de Apolônio, elaborando assim
A Vida de Apolônio, a mais rica, mas não
necessariamente a mais confiável, fonte biográfica
do filósofo.
Apolônio esteve também
na Espanha e na Itália. No fim de sua vida, possivelmente
com aproximadamente cem anos de idade, instalou-se em Éfeso,
onde veio a falecer.
A obra que Apolônio
construiu em sua vida foi muito rica e seus tratados sobre
medicina, ciência e filosofia orientaram, mesmo que
indiretamente, o desenvolvimento destas áreas. Há
ainda, tratados alquímicos de autoria atribuídas
à Apolônio.
O
místico Apolônio
Através de algumas
fontes pode-se encontrar um Apolônio mais místico
do que filósofo e mais ocultista do que científico.
Entretanto, essas referências podem não ser
tão confiáveis; mas, certamente, ajudaram
a construir sua imagem e a solidificá-la na história.
Sob este aspecto, Apolônio
teria, assim como Cristo, nascido de uma virgem, bem como
sua vinda teria sido anunciada por um anjo. Ainda, teria
influenciado fortemente os seguidores de Cristo e assim
ajudado a fundamentar as bases que regem o catolicismo,
como a liturgia e o simbolismo.
Durante suas viagens pelo
oriente, acompanhado de Damis, iniciou-se em diversas doutrinas
e atingiu rapidamente os níveis mais elevados dos
mestres. Apolônio teria absorvido uma carga de sabedoria
que só seria possível se vivesse na Terra
por incontáveis anos. Acumulou conhecimentos sobre
o uso dos cristais, a aplicação das cores
nos templos sagrados, a utilização da música
como canal de contato com mundos superiores; além
de estudar simbologia, transmutações de elementos
da natureza, cura, o dom de profetizar, de se comunicar
com outros seres através de linguagens específicas
etc.
Um caráter místico
foi atribuído a sua pessoa. Por onde passava, Apolônio
era recebido como um poderoso sacerdote capaz de realizar
milagres, promover a cura de enfermos terminais e todo o
tipo de atividade sobrenatural.
Em Roma, teria ressuscitado
a filha de um governante. Também foi acusado de traição
aos imperadores Nero e Domiciano, isentando-se de tais acusações
por meios "mágicos". Certa vez, quando
encurralado por um grupo de cães ferozes prontos
para atacar, Apolônio simplesmente "desapareceu"
no ar frente a uma multidão.
O
Nuctemeron
Portanto, seria uma evidência
de que Apolônio não apenas rondou os temas
herméticos, mas como também fora um estudioso
e praticante de modalidades distintas do ocultismo.
Apolônio
pela História
A obra Vida de Apolônio,
de Filóstrato, pode ser considerada uma narrativa
um tanto fantasiosa. Ao que parece, o autor tentou atribuir
à Apolônio um caráter divino comparável
à Cristo. Até mesmo a imagem do apóstolo
Paulo teria sido "inspirada" na imagem de Apolônio.
Mais de duzentos anos após
sua morte, Hierócles afirmava que a vida e as obras
de Apolônio eram mais relevantes que a de Cristo.
Adriano, o imperador romano, foi um entusiasta dos trabalhos
de Apolônio, promovendo sua disseminação
durante seu império. Na Idade Média, devido
a algumas semelhanças biográficas com Cristo,
a imagem de Apolônio foi denegrida pelo clero, considerando-o
um impostor ou mesmo um mago satânico. No século
XVII, Voltaire reafirmou a importância do filósofo.
De qualquer forma, o incógnito
personagem de Tiana enraizou-se na história e há
quase dois mil anos desperta interesse, curiosidade e admiração.
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